A imagem possuída: ritual, assinatura e imaginário do Vodou em Divine Horsemen
Palavras-chave:
ritual, cinema, imaginárioResumo
Este artigo investiga a relação entre imagem e imaginário do Vodou haitiano a partir da hipótese de que esse vínculo, para além de uma operação representacional, opera como fricção entre regimes de presença. Compreendendo o ritual e o cinema como dispositivos de mediação capazes de produzir mundos, elabora-se uma prancha comparativa organizada como um espectro – entre espetáculo, observação e incorporação – e situamos Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti (1985), de Maya Deren, Teiji Ito e Cherel Winett Ito, como ponto de inflexão no imaginário do Vodou produzido por obras audiovisuais. Argumenta-se que, neste filme, a lógica ritual da possessão reorganiza a forma da imagem e se propõe a categoria “imagem possuída” como ferramenta analítica para os estudos dos imaginários midiáticos religiosos.