A HARMONIZAÇÃO DOS DISCURSOS: Monoculturas textuais, variabilidade discursiva e o risco epistêmico da planificação linguística por modelos generativos de linguagem
Palavras-chave:
Harmonização discursiva. Inteligência artificial generativa. Ecologia discursivaResumo
Este artigo faz uma reflexão crítica sobre a harmonização discursiva e o risco epistêmico derivado da planificação linguística causada pelos modelos generativos de linguagem. O que acontece com a ecologia discursiva de uma sociedade quando a diversidade estilística e cognitiva dos textos que nela circulam é progressivamente reduzida pela mediação algorítmica? A hipótese é que essa redução configura uma monocultura simbólica cujos riscos podem ser compreendidos, por analogia rigorosa, a partir dos efeitos da perda de variabilidade genética na biologia. As sociedades contemporâneas necessitam de resiliência epistêmica: a capacidade coletiva de produzir, sustentar e mobilizar uma diversidade de modos de pensar e argumentar. A harmonização discursiva ameaça essa resiliência ao induzir convergência estilística, habituar leitores a padrões que marginalizam formas alternativas e alimentar futuros modelos com textos cada vez mais homogêneos, amplificando a convergência ao esvaziamento.