REGIMES DE VISUALIDADE E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE: COMUNICAÇÃO, COSMOLOGIA E PERFORMANCE NO CAPITALISMO DE PLATAFORMA
Palavras-chave:
Comunicação, Visualidade, SubjetividadeResumo
Este artigo investiga a comunicação como campo ontológico de produção de subjetividade, articulando a cosmologia Yanomami formulada por Davi Kopenawa em A Queda do Céu e a poética performativa de Liniker nos álbuns Baby 95 e Caju. A partir da teoria da representação e de uma perspectiva decolonial, argumenta-se que o canto — xamânico ou musical — não opera como expressão simbólica, mas como prática constitutiva de mundo. Por meio de análise minuciosa das imagens, performances e regimes de circulação digital, o estudo demonstra como visualidade, memória e afetividade organizam disputas pelo sensível no interior do capitalismo de plataforma. Sustenta-se que a comunicação, longe de ser mediação instrumental, atua como tecnologia cultural de sustentação de mundos, tensionando a ontologia moderna da separação e rearticulando formas de existência e reconhecimento.