A DÚVIDA RACIAL COMO SINTOMA: linguagem do segredo e o tensionamento da ontoepistemologia moderno-colonial
Palavras-chave:
dúvida racial, subjetivação, representaçãoResumo
O ensaio parte do relato íntimo de Paula, que narra um episódio de negligência afetiva após um encontro sexual, para investigar as relações entre a dúvida racial (branca/negra) que carrega e sua linguagem do segredo, com seus ensaios de autodeclaração. Desloco o foco da resolução identitária para a implicitude da fala de Paula: gestos, titubeios e não-ditos que comunicam sem dialogar diretamente com a transparência exigida pelos regimes modernos de reconhecimento. Dialogando com Denise Ferreira da Silva, Fred Moten, Jota Mombaça e Derrida, o texto problematiza a leitura da dúvida como falha moral ou “iletramento” racial sem ignorar a necessidade da organização política em torno da identidade negra. Proponho compreender a dúvida racial como sintoma das fissuras da matriz ontoepistemológica europeia (isto é, o Eu transparente e plenamente autodeterminado), a partir da exigência do modelo de representação moderno-colonial, a base para o projeto democrático pós-iluminista.