O MARAVILHAMENTO CONSERVADOR: cenas e performances organizacionais em retrocesso
Palavras-chave:
Performance organizacional, Maravilhamento, Movimento conservadorResumo
Este artigo analisa a campanha publicitária da American Eagle lançada em 2025 como expressão de um movimento de retorno — ou descortinamento — do conservadorismo nas estratégias comunicacionais de grandes marcas, especialmente nos setores de moda e beleza. A partir do método da cena, inspirado em Rancière, o estudo investiga como essas estratégias operam performances organizacionais que deixam de produzir dissenso e passam a restaurar uma ordem policial do sensível, reafirmando hierarquias de raça, gênero e corporalidade. Articulam‑se os conceitos de dissenso (Rancière), políticas do encantamento (Demuru) e pensamento contra colonial (Glissant) para compreender como a campanha mobiliza afetos, nostalgia e fantasias de superioridade como forma de sedução política. Argumenta‑se que tais narrativas não apenas comunicam produtos, mas reconfiguram regimes de visibilidade e pertencimento, neutralizando fraturas produzidas por lutas feministas, antirracistas e decoloniais.