Ser revolucionário é ser hospitaleiro: para (re)pensar a abordagem documental
Palavras-chave:
Fotografia documental. Representatividade. ColaboraçãoResumo
Nos dias atuais, a fotografia documental pode estar diante de uma mudança: a figura do fotógrafo-herói, tradicionalmente investida de um suposto mandato para registrar e denunciar injustiças, parece dar lugar a um novo tipo, mais hospitaleiro. Este artigo parte de um protesto contra um fotógrafo bem-intencionado, mas que não teria representatividade para tratar do drama de mulheres vítimas de trabalho análogo à escravidão, para discutir a crise de representatividade que atravessa o fotodocumentarismo. O texto revisita a formação histórica da autoridade documental e reflete sobre como a noção de evidência, associada à fotografia desde o século XIX, consolidou a posição do fotógrafo como mediador privilegiado do real. Por fim, analisa experiências que tensionam esse modelo, propondo práticas colaborativas, processos participativos e estratégias de coautoria como caminhos possíveis para a reconfiguração ética e política da narrativa documental.