Jean-Luc Godard contra René Descartes: uma fábula cine-filosófica
Palavras-chave:
Jean-Luc Godard, René Descartes, Cinema e filosofia, Ensaio fílmico, Teoria da menteResumo
A comunicação examina a maneira como Godard convoca Descartes em alguns de seus filmes para fazer dele um inimigo filosófico (La Chinoise, 1967), ou para extrair de suas fórmulas filosóficas, como a do Cogito (retomada ou deformada), materiais ou ferramentas para o pensamento – Letter to Jane (1972), Forever Mozart (1996), Histoire(s) du Cinéma, épisode 4a (1998), Dans le noir du temps (2002), Vrai Faux Passeport (2006). Neste percurso, examina também como, ao confrontar ou emular Descartes, Godard acaba confirmando, na própria forma de seu cinema, teses fundamentais da filosofia cartesiana, como aquelas segundo as quais 1) nosso conhecimento do mundo deve passar pela inspeção das representações que produzimos dele e 2) nosso entendimento pode agir e intervir no fluxo de atividades e representações de nossa imaginação e de nossos sentidos para conhecer as coisas. Se víssemos tal confronto de Godard com Descartes como uma fábula, constataríamos talvez que o filósofo riu por último.